Lúcia Helena Pereira (01).

 Lendo os poemas do professor João Wilson Mendes Melo, senti instantes de ternura bafejados pelo sopro do vento, invadindo, sem pedir licença, o sexto andar do prédio onde moro. Ao mesmo tempo, sensações diversas ficaram rondando o meu acampamento poético, onde as palavras, gigantes da alma, vieram atrair belas imagens e gratas sensações, para um canto bom da minha alma.
Num intervalo dessa leitura, deparei-me com um bloco de anotações e o trecho de uma das mais belas citações do polígrafo francês, Emest Renan. Ele que, deixou-nos, na sua genialidade, o ouro de suas palavras. Basta esta citação: “Graças ao amor, todos os seres têm sua hora de bondade. O princípio que na natureza faz a flor, no mundo vivo faz a beleza, no mundo humano faz a virtude, o encanto, o pudor. O amor é algo de grande, de puro, de santo!”
O amor, sem dúvida, é o sinalizador do prazer e das emoções antigas e revigoradas no presente. É a ternura do leve toque; o calor do afeto; a magia do desejo intenso, conforme expressa João Wilson, em seu livro “Principalmente o Amor” (2004). Um rico livro, que tive o privilégio de ler e comentar, no Jornal de Hoje. Os poemas desse livro estão impregnados de amor. O amor como forma de pureza, que é uma técnica superior da inteligência, em face à compreensão do perdão, das mentiras, das omissões e fraquezas, que levam à descoberta da . essência poética e amorosa do autor. Uma essência que faz vibrar a harpa eólia do seu coração, desprendida, por acaso,” de uma nuvem que se esgarçou do céu de sua luminosa e fértil imaginação.
O ser humano é carente e incompleto. Está sempre buscando suprir suas necessidades mais comuns. Nutre-se da realização do prazer unificando corpo e alma. O homem costuma partilhar do cerimonial do amor. O amor do aconchego, da harmonia dos pares, da fantasia essencial, da necessidade. das carícias, enfim, o amor da maturidade, consciente.e pronto para ser administrado. Isso dá um sentido maior à vida, vez que, o amor nasce esculpido na alma humana e tende a expandir-se, criar novas formas, tornar-se puro, inocente, quando submetido a relacionamentos. Que elegem amar com a alma, com o corpo e o coração.
“EM TEMPO DE LIBERTAÇÃO E DESAMOR”, o novo livro de João Wilson, surge como leitura gratificante e simples. O autor faz abordagem a temas comuns, desprendendo-se das barreiras gramaticais e impondo um território inteiramente novo, sem metáforas, sem exigências gramaticais, mas, pura e simplesmente devotando – se à total abertura da alma e do coração, num manifesto à vida e suas contingências.
Escrever sobre o amor – como poesia – fez com que João Wilson pudesse se desfazer da larga tranca da antiga clausura dos preconceitos. E ele segue invadindo a senda do amor, do intenso prazer – tão fascinante e mágico – emocionando seu coração e trazendo um novo brilho aos seus olhos.
Aqui está o mestre, inteiramente enriquecido de romantismo, reflexões, humanismo, lirismo poético e filosofia. Tudo isso, à luz da sabedoria, dos enganos e desenganos, do livre arbítrio, da sua perplexidade perante as diferenças, sofrimentos alheios e injustiças sociais!
Aparentemente simplórios, seus poemas vieram de inspirações dadivosas, talvez pelo seu encantamento por Simone de Beauvoir, uma mulher que amou muito, guardando, em sua enorme caixa de segredos, o amor exultante e dileto. Amor sem medidas e sem fronteiras.
Na eloqüência da sua admiração pela escritora e filósofa francesa, precursora do existencialismo na França, João Wilson Mendes Melo extrapolou do peito novas versões poéticas. Enveredou por um novo caminho, para a descoberta da sua bela humanidade, questionando as fraquezas dos seres humanos, omissões, mentiras e segredos.
Os seus poemas são sinalizadores da sua compreensão em tomo do universo da existência humana, admoestando emoções. É com essa visão, ao mesmo tempo, com essa delicadeza, que ele elegeu o amor como fonte de todo o BEM!

(01) Da Academia Feminina de Letras / RN, membro do Instituto Histórico e Geográfico / RN."